A reforma tributária deixou de ser assunto só do departamento fiscal e já mexe com decisões de negócio. É o que aponta a edição 2026 da pesquisa 'Tax do Amanhã', da Deloitte, feita com 148 empresas de diferentes setores e portes. O levantamento mostra que 89% delas já estudaram a fundo os efeitos da reforma e estão revendo operações, preços, margens e cadeias de valor.
A maior preocupação, citada por quase 60% das empresas, é ter que conviver com dois sistemas tributários ao mesmo tempo durante a transição, que começou em janeiro deste ano e vai até o fim de 2032. Ou seja: por vários anos será preciso operar com as regras antigas e as novas (IBS e CBS) funcionando em paralelo, o que aumenta a complexidade do dia a dia e o risco de erro.
O impacto no bolso também aparece com força. Entre as empresas que fizeram as contas, 51% acreditam que a carga tributária vai subir, o que pode significar repasse de preço ao cliente ou aperto na margem. Outras 16% projetam redução e enxergam aí uma chance de ganhar competitividade. A diferença entre um cenário e outro depende muito do setor, do regime e de como cada operação está estruturada, por isso simular antes é fundamental.
Chama atenção que 57% das empresas que hoje aproveitam incentivos fiscais estão pensando em rever a localização geográfica ou ajustar a cadeia de fornecedores. Como a reforma muda a lógica de onde e como o imposto é cobrado, benefícios que faziam sentido no modelo atual podem deixar de compensar, e decisões de logística e ponto de operação entram na conta.
Para atravessar essa fase, a tecnologia virou prioridade: 77% das empresas pretendem aumentar o investimento em sistemas em 2026, e ferramentas de ERP, compliance e análise de dados ajudam a interpretar as novas regras, simular cenários e evitar inconsistências. Ao mesmo tempo, nove em cada dez relatam dificuldade para encontrar profissionais qualificados no tema, o que reforça o valor de uma contabilidade preparada.
O recado da Aporte é que a hora de agir é agora, mesmo para quem é do Simples Nacional e ainda não sente o efeito direto. Entender como a reforma afeta seus preços, seus fornecedores e sua margem antes de a cobrança apertar é o que separa quem vai se adaptar com folga de quem vai correr atrás no susto. Quer avaliar o impacto na sua empresa? A gente ajuda a fazer essa leitura.